Archive for julho \30\UTC 2010

Requião, Travestis, Ronaldo e Serra.

Esse título parece piada de mau-gosto? Pois foi retirado de um tweet do candidato Roberto Requião que parece mais do que isso, mas que não foi levado tão a sério quanto deveria. O governador paranaense pura e simplesmente ofendeu de uma só vez não só o jogador Ronaldo como todas as pessoas que o acompanham na foto, incluindo um ex-presidente da república e um ex-governador, agora candidato à presidência. Parece muito? Pois ficou bem pior no momento que Requião, percebendo o erro, tentou se justificar.

Pergunto: o que dizer diante disso? Ao que parece, a grande imprensa não possui uma resposta para a questão, devido ao modo eminentemente descritivo com que tratou do tema. Fica evidente que não apenas os políticos não estão preparados para lidar com a proximidade do eleitor, mesmo que em redes sociais, como os jornais e revistas não sabem dar ao assunto a real dimensão. Afinal, não é todo dia que pessoas públicas se ofendem mutuamente diante de milhares de cidadãos.

Perto de episódios como esse, a falta de tato do candidato Jaiminho Donizete  ao irritar de uma vez mais de 50000 usuários do twitter – o grande palco dessas eleições, como se vê – chega a ser quase irrelevante. O desrespeito ao eleitor parece ser a regra em 2010 e não exceção.

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Os “jênios” da comunicação

Quando avaliados como um todo, a maioria dos artigos escritos até agora sobre as eleições têm abordado de maneira diferente mas, com uma constância preocupante, as falhas de comunicação dos diversos candidatos. Não por acaso – e já faz tempo, é exatamente na comunicação com o eleitor que os partidos investem mais dinheiro contratando os profissionais mais caros. Daí ser particularmente interessante a análise de tantos erros em tão curto espaço de tempo, cometidos por pessoas, pelo menos em tese, tão preparadas.

Para não nos limitarmos a Dilma Roussef, José Serra e ao ViceÍndio, o maior produtor de manchetes negativas por minuto até o momento, vamos citar um fato veiculado hoje pelo site Terra. O candidato a deputado federal pelo Rio Grande do Sul Beto Albuquerque (pelo jeito, muito mal assessorado) entendeu que podia incomodar as pessoas no twitter por spam via mensagem direta. O que chama a atenção aqui é o extremo desconhecimento da mecânica da comunicação pelas redes sociais, e particularmente do universo do Twitter.

Como eu mesmo já disse aqui, presume-se que os profissionais contratados pelos políticos para orientá-los no trato com o público, seja em comício, seja em redes sociais, saibam o que estão fazendo quando tomam esse tipo de atitude. Mas fatos como o do candidato Beto Albuquerque, que usou um espaço criado única e exclusivamente para mensagens privadas para enviar 35 tweets rigorosamente iguais, me levam a imaginar alguém que não tem a menor noção sobre redes sociais orientando uma pessoa que tem ainda menos idéia do que se trata. E – o que é pior – recebendo muito bem prá fazer isso.

Aí vem a pergunta fatal: atos como esse se convertem em votos? Eu duvido.

Pobre eleitor da Dilma…

Você é eleitor de Dilma Roussef.

Está completamente inlove com Lizinácio, acredita piamente que Lizinácio foi a melhor coisa que já aconteceu a este país desde Juscelino Kubitscheck (se é que você acha que JK fez bem ao país), empolga-se ao enumerar as proezas econômicas realizadas pelo metalúrgico ex-comunista, que fez com que este país e seu presidente fossem respeitados por todo o mundo, etc, etc, etc…

Você abomina a grande imprensa brasileira. Odeia a forma como os jornalistas desdenham de Lizinácio e chama Dilma de poste do presidcente. Acha a Folha de SPaulo ridícula, e há anos não lê nem a capa da Veja.

Daí você clica neste link aqui e…

… tem vontade de cortar os pulsos!

Pobre eleitor do Serra…

Você acompanha avidamente o noticiário político. Acredita piamente na palavra de José Serra. É, inclusive, eleitor dele. Você lê a folha de SPaulo por crer que é o melhor jornal deste país. E, junto com seu jornal de estimação (seu de sua pessoa ou seu da pessoa de José Serra, mas não me complica azidéia aqui que eu tô te defendendo, pô!), acredita piamente que José Serra é o pai dos genéricos. Só vocês, não: o próprio PSDB declarava isso no site oficial.

Daí, um belo dia você ouve dizer que o Serra declarou que o genérico não foi idéia dele. E quem diz isso é o seu jornal de estimação (seu de sua… ah, já disse isso no parágrafo aí de cima, num enche!).

Você duvida da notícia. Não, não pode ser, isso é trololó petista… Mas né mentira, não! Táqui.


Não, não é Photoshop, não! É sério!!!!

(P.S.: Governador, decida-se: ou não fui eu quem inventou ou não fui eu que inventei. Melangê de jenessequá não orna na credibilidade. E NSra da Concordância Verbal ainda está a lhe olhar de soslaio, não se esqueça…)

Informações ao eleitor: voto em trânsito

Gente, como eu vi essa informação pouco divulgada, achei por bem contar pra vocês…

Pela primeira vez os eleitores poderão votar em trânsito. Ou seja: se você não estiver na cidade em que você vota nos dias 3 e/ou 31 de outubro e fizer uma questão doida de votar, você vai poder – mas só pra presidente. E só se você estiver em alguma capital (estadual ou federal).

Vejam o meu caso: domicílio eleitoral em São Paulo, mudei-me para Brasília mas não a tempo de transferir o título para a capital federal.

Pessoas com historinhas iguais ou parecidas com a desta bruxa podem fazer o que eu fiz: compareçam ao TRE da cidade onde estarão no dia da votação. Levem o título de eleitor E outro documento com foto. Avisem se estarão no local no primeiro ou no segundo turno (ou em ambos os turnos), e pronto! O Sistema já me mandou comparecer a uma escola na L2 Sul no dia da votação.

Mas tem que fazer isso até o dia 15 de agosto. Isso, claro, se você fizer uma questão danada de votar, assim como eu faço…

E que fique claro:

A habilitação para o voto em trânsito pode ser feita em qualquer cartório eleitoral do país. Só serão admitidos os eleitores que estiverem em dia com as obrigações eleitorais. O eleitor poderá, pessoalmente, alterar ou cancelar o registro para votar em trânsito, dentro do período indicado [até 15 de agosto].
Porém, se não estiver na capital para a qual tenha sido transferido provisoriamente, o eleitor deverá justificar a ausência em qualquer seção eleitoral, inclusive no local onde esteja domiciliado.
Em todas as capitais serão instaladas urnas exclusivas para o voto em trânsito, em locais previamente designados pelos Tribunais Regionais Eleitorais. No dia 5 de setembro de 2010, os eleitores em trânsito poderão conferir o seu local de votação nos sites do TSE ou do TRE do seu domicílio de origem ou da respectiva capital por eles cadastrada.
Para a instalação de uma seção especial para o voto em trânsito, é preciso que a capital do estado tenha recebido o pedido de transferência provisória de no mínimo 50 eleitores. Do contrário, a habilitação será cancelada e os eleitores serão informados da impossibilidade de votar em trânsito, devendo justificar o voto ou votar no seu local de origem no dia da eleição.

Esta informação foi copiada do site do TSE, mais precisamente aqui.

Os políticos e a tecla SAP

As eleições de 2010, quando forem analisadas pelos historiadores e sociólogos daqui a alguns anos, irão fazer por merecer um capítulo à parte para as expressões absolutamente singulares criadas pelos candidatos em momentos de absoluta falta de inspiração.
Nesse quesito, nosso herói José Serra tem se mostrado absolutamente imbatível. É capaz de trafegar com absoluta facilidade do já conhecido trololó petista – algo que só ele leva a sério no universo político nacional – a pérolas como corporativismo bolchevista, que chegam a exigir tecla SAP do mais fervoroso militante tucano.
O vice Índio atingiu com facilidade o posto de maior fonte de bobagens da campanha. Um exemplo foi postado no vídeo abaixo. Em menos de um mês conseguiu a proeza de não ser levado a sério sequer pelos aliados.
Mais compreensível é a pororoca, expressão com a qual Marina Silva definiu o crescimento de sua candidatura, comparando os números que insistem em patinar nos 8%, a um encontro de águas.
No entanto, alguém se esqueceu de avisar à candidata que os eleitores do sul/sudeste não são familiarizados com tal expressão e a campanha exige que a comunicação com o povo seja fácil e imediata.
Dilma Roussef, por enquanto, tem sido econômica até mesmo nas suas aparições em público, se limitando a uma fala que possui um script cuidadosamente predeterminado. Ainda assim, soltou em São José dos Campos um funhanhado que deixou muita gente… funhanhada com a história.
O título de grande comunicador da campanha petista permanece nas mãos de Lizinácio, aquele presidente com 85% de popularidade. Que, quando vai falar sobre algo que não domina, lança mão das famosas metáforas futebolísticas que todos, sem exceção, entendem e que deveriam ser um exemplo para aqueles que pretendem sucedê-lo.
Isso poupa o eleitor de, num esforço supremo de boa vontade, procurar o dicionário mais próximo ou até mesmo o Google, na esperança de entender o que o seu candidato quis dizer quando abriu a boca e soltou um corporativismo bolchevista, por exemplo.

Amor reflexivo

Maldade da oposição, viu?

Por que dizer que o Serra tem nojo de pobre?

Por que dizer que o Serra não gosta de cumprimentar pessoas?

Gente, a coisa aqui é e-vi-den-te: ele se ama!

Aí vem um monte de espírito de porco e fica interpretando errado os fatos…

Assim não pode! Assim não dá!

Pronto, candidato!

Defendemos mais uma vez o seu lado, viu?

Qualquer coisa, tamosaí…