Existe alguma novidade no fato de Marina Silva falar de meio ambiente? Se você tivesse o privilégio de assessorar a candidata à presidência pelo PV aconselharia, em sã consciência, a insistência na tese do “governo baseado em políticas auto-sustentáveis?” Como telespectador da entrevista da presidenciável na rede Globo, por acaso escutou alguma afirmação da candidata que se afastasse, ainda que um pouco, dessa fala que já virou sua marca registrada?

Este escriba, infelizmente, só consegue enxergar o mais do mesmo na fala da ex-ministra. Ainda que o tema do meio ambiente aliado às políticas de governo esteja na ordem do dia em 2010, como eleitor, eu espero que um candidato que pretenda sentar-se na cadeira ocupada hoje por Lizinácio tenha mais a oferecer do que uma plataforma segmentada. A defesa das florestas, do verde e de assuntos correlatos  fica muito bem numa ministra, mas de um presidente exige-se muito mais do que isso.

Nas poucas vezes que os entrevistadores do JN sugeriram pautas diversificadas a Marina, a candidata fez o favor de  agraciar o telespectador com nada menos do que a recondução do tema aos trilhos do meio ambiente. Isso pode agradar muito aos xiitas da ecologia e aos fãs de primeira hora de Marina Silva, mas decepciona a quem espera um pouco mais do mesmo dos atuais candidatos, especialmente daquela que, a princípio, despontava como a maior promessa dessas eleições.

Sobre os entrevistadores, pouco a dizer, a não ser que Bonner se enerva facilmente com a possibilidade da entrevista se perder em meio a falas muito extensas ou raciocínios mal desenvolvidos, ainda mais por políticos que associam o nervosismo da candidatura com a falta de argumentos, algo muito mais comum do que a maioria dos eleitores imagina.

Nota da Madrasta do Texto Ruim: Inovação vai ser quando a Marina disser que o governo dela vai promover o “bem estar bem”. Pronto. Piadinha. Passou.

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