Sério de novo, gente.

Minha preocupação nessas eleições não é com o PT. O partido estelar (uia que chique!) está sabendo administrar direitim a vantagem de estar no governo e os esperneios da oposição. Vão pintar alguns problemas a médio, longo prazo, mas esses problemas o partido pode levar com a barriga por algum tempo.

Minha preocupação é com o PSDB.

Analisemos com carinho e sem preconceito a situação tucana:

Nascidos social-democratas (portanto, com um pezinho na centro-esquerda de quem olha), há uns 20 anos os pobrezinhos se aliaram aos mamadores de teta de governo chafurdadores de lama corruptos direitistas reacionários liberais do então PFL.

Juntos governaram o país por oito anos. Começaram a botar alguma ordem na zona econômica que era esta ex-terra de Cabral, e geral reconheceu isso. Foram reeleitos. No segundo governo, começaram a pisar na bola e geral percebeu (na política, dor de bolso é mais forte que dor de dente, registrem essa pérola de bruxa…). Perderam as eleições de 2002 para a então oposição do PT. E a partir daí só fizeram se perder.

Tentaram voltar ao poder em 2006, com o discurso de que o governo do PT não ia tão bem assim. Geral não acreditou (o bolso não doía, então tava tudo nos trinques). Conseguiram levar a eleição pro segundo turno (vamos abstrair desta análise esta ou aquela acusação de golpismo, manipulação de imprensa etc etc etc) e seu candidato Geraldo Alckmin conseguiu a PROEZA DE, NO SEGUNDO TURNO, TER MENOS VOTOS DO QUE NO PRIMEIRO TURNO.

Se os tucanos começaram a se perder no período 2002-2006, de 2006 até 2010 foi que o caldo desandou de vez. A bússola quebrou, o mapa se rasgou, tucano cegou-se e rodopiou, rodopiou, rodopiou… estão até agora com aquela sensação do mineirinho da piada: num sei quemcossô, oncotô, procovô
E não sabem mesmo! Responda para si mesmo a seguinte pergunta: o que há de social-democrata no Partido da Social Democracia Brasileira? Tá, o nome. Além do nome, o quê? Nada.

O que um partido dito de oposição tem que fazer? Analisar o governo que se segue, pegar o podre e evidenciar. E, em cima desse podre, apresentar propostas viscejantes, límpidas e cristalinas. E, principalmente, voltar a ter sintonia com a maioria da população, né?

Das três tarefas, o PSDB só consegue cumprir mal e mal a primeira. Aponta (ou pensa que aponta) os podres do governo (mas confunde corrupção com fracasso de programa de governo). A esses podres não se seguem propostas novas, e menos ainda eles conseguem restabelecer contato com a maioria da população. OK, essa última tarefa é deveras inglória: como é que você vai convencer geral de que a economia vai mal se nos últimos oito anos geral conseguiu comprar casa, carro, geladeira e eletrodomésticos a rodo e inda tá com mais grana no bolso? Num rola, né?

Mas o mapa e a bússola de dois parágrafos acima estão fazendo falta: nessa perdição dos últimos quatro anos, o PSDB conseguiu se afastar demais de sua identidade ideológica, filosófica e social. E antes que você diga que isso não importa pros partidos brasileiros, eu digo que pode não importar pra ponta final da coisa (o eleitor), mas pra ponta de lá da coisa (os líderes do partido) isso tem que importar, sim. E tem que servir de norte pra eles.

Pois o PSDB que entrou nesta eleição presidencial está sem liderança ativa. Está sem cabeças, está totalmente perdido. Foi levado pela ira de seu discurso para uma direita na qual ele não cabe. Tem que sair de lá, pelo bem de todos e felicidade geral da nação.

Extrema direita é papel do ex-PFL (agora DEMos). E é esse partido quem deve reunir as manifestações dos latifundiários, por exemplo. Latifundiário não combina com social-democracia. Nem aqui nem nos Estados Unidos (ia dizer na China, mas deixa prá lá. A comparação num ia funcionar).
No dia 4 de outubro, se os marcianos não invadirem o World Trade Center ou hecatombe similar ocorra, a situação será a seguinte: Dilma eleita em primeiro turno e governo de São Paulo em segundo turno. Graças a Deus eu não moro mais naquele estado, porque a coisa vai ficar insuportável por lá. O PT relaxado e eleito no Planalto vai jogar ainda mais no ataque do Mercadante, e o PSDB paulistano vai ter que fechar-se numa retranca braba pra não perder o Palácio dos Bandeirantes. Vai ser feia a coisa.

Sinceramente, espero pelo bem do PSDB que os tucanos sejam derrotados em São Paulo. Explico.

Se o PSDB paulista for totalmente derrotado, as fichas do partido cairão totalmente sobre as costas de um mineirim chamado Aécio Neves. Novamente, torço para que, ao contrário do mineirim da piada, Aécio saiba onquitá, quemquié e pronquivai. Porque ele vai carregar o PSDB todinho nas costas.

Caberá ao neto de Tancredo reconduzir o partido aos eixos ideológicos, respirar fundo e controlar sanas raivosas, direitistas e rancorosas, para finalmente transformar o partido numa instituição capaz de exercer seu papel oposicionista com calma, parcimônia, sabedoria e tranquilidade.

Enfim, o Aécio vai ter que jogar a tucanaiada toda num SPA bem legal, daqueles que fazem massagem relaxante, energizante, (não pensem em sacanagem, por favor, imaginem uma perua num spa…) e que todo o relaxamento se conclua com um delicioso ofurô.

Com a calma e a parcimônia restabelecidas, quem sabe os tucanos consigam retomar o papel de oposição racional que lhes é de direito, né?

Porque, como diria o Barão de Itararé, o feio da eleição é se perder...

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